sábado, 27 de novembro de 2010

16° Goiânia Noise Festival: Saiba como foi





Antes de tudo vale um aviso: Sei que já se passou uma semana, mas tenho milhões de motivos - que não cabe comentar aqui, pro meu atraso nesse post sobre o 16° Goiânia Noise Festival.

O bom desse distanciamento temporal é que posso escrever tudo claramente deixando um pouco de lado as emoções condizentes com um evento como é o Noise.

Pra começar, é importante dizer também que esta foi a terceira vez que resolvi deixar Palmas (TO) pra ir cobrir o Goiânia Noise Festival, e pela terceira vez digo que o evento FOI FODA PRA CARALHO.

O Noise começou na verdade no dia 13 de novembro, agregando a programação do Brasil Central Music com palestras, painéis, workshops, e ainda o mini-festival Release, que teve show do Some Community - que eu perdi, de novo. Oh Deus.

Contando tudo foram mais de 100 shows nesta 16° edição. Goiânia Noise só crescendo, crescendo. Um dia, prometo que vou pra cidade e participo de toda a programação do evento. Mas por enquanto...

... eu só posso falar mesmo é dos shows que assisti. Fiquei na terra do pequi de sexta a domingo e curti os três dias de festival que aconteceu no Centro Cultural Martim Cererê e encerrando com o show 'Futurível' do Gilberto Gil e Macaco Bong no campus da UFG.

Começando...

Na sexta, 19, depois de uma viagem curtinha, pulseirinhas na mão, parti pro Cererê. Os shows começaram às 19h em ponto, porque como sempre, atraso no Noise nunca acontece. Se você quiser assistir as apresentações CHEGUE NO HORÁRIO! É uma das dicas mais preciosas que eu posso te dar depois de três anos cobrindo a parada.

Dentro do primeiro dia, a programação contava com 14 shows. O foco da noite, (quer dizer, do FESTIVAL, pra mim) foi o show do El Mato a un Policia Motorizado da Argentina.

Sou muito fã do trabalho dos hermanos e depois de assistir um monte de banda argentina no Noise, faltava só o El Mato, que na minha opinião é com certeza a melhor de todas. Como bem disse o próprio Fabrício Nobre (Monstro Discos, produtor do Noise, vocal do MQN, peça chave na história do independente nacional) 'agora o Noise se orgulha de dizer que já trouxe todas as boas bandas da Argentina'.

Existem muitos motivos pra eu amar essa banda. As letras curtinhas e excelentes todas cantadas em castelhano que contam a vida na cidade quadrada, os riffs de guitarra que flertam com milhões de influências, os barulhinhos no final das canções e por aí vai...

Daí minha ansiedade pra ver os caras ao vivo. Os hermanos não faziam ideia da responsabilidade, mas a verdade é que o El Mato foi a razão de eu ter topado a viagem pra cobrir o Noise, não podia perder o show de uma das minhas bandas favoritas tocando bem no quintal de casa.

Aqui vai um adendo, pra me entender, primeiro é preciso saber que eu tenho essa coisa, essa loucurinha, de só amar uma banda completamente depois de vê-la tocando ao vivo, é como se fosse uma prova dos nove pra mim. Nesse meu critério musical maluco, digo que o El Mato passou com louvor.

O repertório passeou pelos três discos da banda. 'Chica Rutera, 'Mi Proximo Movimiento' e 'Vienen Bajando' (lágrimas nesse momento) foi lindo de ouvir ao vivo. O mega hit 'Amigo Piedra' teve até participação do Fabrício Nobre cantando junto no palco dividindo microfone com o vocalista. Emocionante.

O show curtinho, infelizmente, porque no Noise tudo tem horário pra começar e terminar, superou qualquer expectativa que eu pudesse ter. Talvez porque tinha recebido alertas de que a banda ao vivo não causava emoção, digo que o El Mato conquistou meu coração.

A introspecção da banda no palco, a empolgação comedida do vocalista gordinho simpático, a dedicação viajada do tecladista. Foi lindo. LINDO. LINDO.

Encontrei com os caras no segundo dia de festival e eles já me contaram que vão tocar no El Mapa de Todos que acontece no ano que vem em Porto Alegre. Pra quem não conhece, o festival é organizado pelo Fernando Rosa, do Senhor F e pelo que me disseram os caras do El Mato vai rolar em março de 2011. EU QUERO MUITO IR!

Sem palavras, resolvi que antes de encarar outro show era melhor dar uma volta pelo Cererê pra dar aquela conferida. No rolê cncontrei o Ney Hugo, baixista do Macaco Bong que eu já conhecia de Palmas e batemos aquele papo gostoso.

O Ney deu pistas de como ia ser o show com o Gilberto Gil, que rolaria no domingo. Falou sobre os pré-arranjos que a banda tinha feito das músicas do baiano, da receptividade dele ao som dos Bongs e do quanto o Gil era gente como a gente. Tem videozinho, depois eu posto pra vocês.

Viv Albertine

A próxima na lista 'O que quero ver no Noise' era a linda, inglesa e amiga dos caras do The Clash, a guitarrista Viv Albertine que subiu no palco do Goiânia Noise pra esbanjar talento e simpatia.

Ela que já tocou na famosa banda de punk da Inglaterra, The Slits, composta só por mulheres formada em 1976 e provou pra todo mundo que o Faça Você Mesmo tá bem aí, vivinho, vivinho.

Sozinha, a moça empunhou uma guitarra e fez um show super divertido mostrando ocasionalmente pro público cartazes com o título de suas músicas em português como ‘Eu não Acredito no Amor’, 'Ele nunca goza', ou mensagens como ‘Eu sou uma coroa gostosa’.

Punk rock em primeira pessoa e sem mais delongas.

Rolou até uma entrevistinha com ela, que posto mais pra frente.

WALVERDES

Do Sul, os caras dos Walverdes, uma das bandas mais antigas da cena do rock nacional independente que no ano passado também tocaram no Noise e dividiram o palco com o MQN de Fabrício Nobre, vieram por si só, mas nem por isso decepcionaram.

Ao contrário, os caras que tocam desde 1993 mandaram muito mesclando um repertório que foi desde os clássicos como 'Seja Mais Certo', até as músicas do novo trabalho o disco Break Dance. Quer definir o Walverdes nada melhor do que dizer, PUTA BANDA DE ROCK'N'ROLL.

BLACK DRAWING CHALKS

Super bem ensaiados os queridinhos de Goiânia, Black Drawing Chalks mostraram ao vivo porque são considerados umas das melhores bandas de rock nacional e porque são escalados para 99% dos festivais que rolam pelo País e porque já tocaram nos mesmos pelo menos umas duas vezes. O som justifica qualquer coisa e desmistifica qualquer dúvida que você levante sobre a banda.

O negócio com o BDC é o seguinte: toda vez que vejo um show dos caras eu penso 'esse será o melhor show do BDC que verei na vida'. Daí chega a próxima apresentação e eu fico 'PQP, ESSE FOI O MELHOR SHOW DO BDC QUE JÁ VI NA VIDA'. E por aí vai. Os caras só ficam MELHORES A CADA APRESENTAÇÃO! ISSO É POSSÍVEL!

Acho que os caras deviam andar com um adesivo na camisa tipo 'Só fico melhor a cada dia. Pergunte-me como'.

Na hora do super hit 'My Favorite Way', o Black Drawing elevou a temperatura no Martim Cererê pro infinito levando o público de Goiânia pras alturas. É excelente, mas sempre vale a pena ver de novo.



Otto e a razão de ser nordestino roqueiro

Pra fechar a noite, bem, pelo menos a minha porque eu não tive condições algumas de ver o show dos metaleiros do Krisiun, corri pra ver o show do pernambucano Otto.

Comigo é aquela coisa, se é mistura com MPB eu fico com o pé atrás. Dou a chance, porque isso pelo menos eu devo fazer, mas sempre fico na dúvida. Será?

Então vem o Otto que continua me provando porque eu devo dar chances a misturas e justificando através da música porque eu devo dar crédito pra qualquer artista que venha de pernambuco. A água daquele lugar é batizada.

O cara que já tocou no Nação Zumbi e com o Mundo Livre S/A fez um show que botou a baixo qualquer resquício de convicção xiita da minha pessoa. Apresentação fervida que colocou o público do teatro Ygua em êxtase.

Várias músicas foram cantadas em coro por quem se espremia, sim, porque estava muito cheio, pra ver a performance pra lá de fantástica do nordestino.

Pra uma novata no som do cara, sai de lá fechando a noite maravilhada com o show do Otto. O cara é sinônimo da palavra performático. Com o calor do teatro subindo, Otto revezava entre tirar a camiseta, colocar a camiseta de volta, dançar sensual, requebrar, tocar tambor, conversar com a galera, seduzir o público com suas músicas, e tudo isso com uma puta cara de felicidade.

- 'Eu reconheço meu público quando o vejo. E esse é o meu público'. E público corajoso, diga-se de passagem, porque além de lotado, sem espaço para se movimentar, a temperatura do lugar devia estar marcando uns 1000°. Mistura que fez um show previsto pra durar 50 minutos bater na casa de uma hora e meia e contando.

Morta, acabada, destruída, suada eu sai de lá gritando: Quero esse homem tocando em Palmas AMANHÃ!

Goiânia Noise acertou em cheio quando convidou o cara pra somar no line-up. Corri pra baixar todo o trabalho do homem. Sugiro que você faça a mesma coisa.

O resultado do primeiro dia foi que uns mil vídeos gravados (todos que serão devidamente postados posteriormente), um bocado de shows excelentes assistidos e um tico de energia pro sábado.

Sábado esse que já conto pra vocês como foi. Guentaê.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Goiânia Noise BICHO!


Pela terceira vez na história de vida desta jornalista que vos escreve, venho a Goiânia para cobrir o maior e melhor festival de música independente do País, o Goiânia Noise Festival.

Esse ano, em sua 16º, o evento vem em 2010 com um programação bem mais variada em relação aos anos anteriores. Uma tendência que já vinha sendo sentida em edições passadas e que dessa vez veio com mais força.

Pra você entender o que eu to falando basta dar uma rápida olhada na programação e perceber a salada que ficou o line-up. Super no bom sentido, claro.

Hoje, sexta-feira, 19, sobem ao palco do Martim Cererê, entre outros artistas (sim, ainda rolando por lá!), gente como a doçurinha Nina Becker, o pernambucano Otto e os pesados e clássicos do Krisiun.

O mais legal e mais esperado por mim neste primeiro dia será o show dos argentinos do El Mato un a Policia Motorizado. Adoro o trabalho da banda há séculos, já perdi um monte de show dos caras por aqui e dessa vez não passa!

É importante lembrar que além dos shows que rolam até domingo, 21, o Noise ainda abrigou em sua programação a Conferência Brasil Music Festival. Teve palestras, workshops, discussões e conspirações. Ou seja, uma feira de produtos ligados à cadeia produtiva da música.

Sendo como tinha que ser já que hoje em dia não faz sentido a música estar separada das discussões sobre como fazer a cena funcionar, girar, acompanhar as mudanças do mercado e também do consumidor, produtor e a junção dos dois, o Goiânia Noise tá super na vanguarda por aqui.

Com o casamento de um dos eventos mais importantes de música e cultura jovem atuais - o Brasil Music - e do Festival de música independente do País, movimentando não apenas a cena cultural goiana, ao tomar conta da terra do peãom o evento planta sementes em todo o Brasil.

Sem muita falação, amanhã eu volto pra contar como foi essa sexta, pra falar dos preparativos pro segundo dia e pra falar dos bastidores.
Pra quem tá aqui em GYN, nos encontramos daqui a pouco, pra quem tá longe, se liga no barulho de qualidade que rola nos próximos dias:

PROGRAMAÇÃO MUSICAL

16º Goiânia Noise Festival

Dia 19 / NOV (SEXTA FEIRA)

Local: Centro Cultural Martim Cererê
02h00 – Krisiun (RS)
01h10 – Otto (PE)00h30 – Black Drawing Chalks (GO)00h00 – Nina Becker (RJ)23h30 – Walverdes (RS)
23h00 – Viv Albertine (The Slits) (Reino Unido)
22h30 – Volantes (SP)22h00 – El Mató A Un Policia Motorizado (Argentina)
21h30 – Spiritual Carnage (GO)
21h00 – Bang Bang Babies (GO) 20h30 – Fígado Killer (GO)
20h00 – banda selecionada pelo Toque No Brasil
19h30 – Trivoltz (GO)
19h00 – Folk Heart (GO)


Dia 20 / NOV (SÁBADO)

Local: Centro Cultural Martim Cererê
02h00 – Musica Diablo (SP)
01h10 – The Mummies (EUA)
00h30 – Cólera (SP)
00h00 – Mechanics (GO)23h30 – 3 Hombres (SP)23h00 – Do Amor (RJ)22h30 – Vespas Mandarinas (SP)22h00 – Ecos Falsos (SP)21h30 – Bandanos (SP)21h00 – Dizzy Queen (ES)20h30 – Cuadros Invitados (Argentina)
20h00 – banda selecionada pelo Toque No Brasil
19h30 – Ímpeto (GO)
19h00 – Posthuman Tantra (GO)


Dia 21 / NOV (DOMINGO)

Local: Ambiente Skate Shop
19h00 – Galinha Preta (DF)
18h15 – WxCxM (GO)
17h30 – Ultravespa (GO)
16h45 – Radiocarbono (GO)16h00 – Black Queen (GO)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Como foi o Burrada Festival?




Mil anos depois, finalmente encontro tempo pra postar sobre a 3° edição do Festival Burrada que rolou nos dias 04, 05 e 06 no Tendencies Music Bar.

O evento, que como fez questão de frisar o Bento, não será o último festival de rock do ano (em dezembro ainda rola o Eye for Eye, beneficente e tals, mais infos nos próximos posts), teve dois dias de música e um dia de artes integradas com exposição de artes plásticas, fotografia, artesanato e ainda cinema, com curtas do Cineclube Miragem lá de Miracema.

No primeiro dia de shows levanto a bola dos meninos do Casa de Cachorro, que apesar de fazerem um som que não é necessariamente meu estilo - hard rock - ao vivo os caras são tão empolgados que fica difícil não curtir.

Ganhando o título de 'minha banda favorita do Tocantins' (imaginando a minha chatice pra música, vocês devem entender o que isso significa), o Super Noise lá de Gurupi fez pra mim o MELHOR SHOW DO FESTIVAL. E não to falando isso apenas porque eles são os favs do coração, mas porque os caras são de longe os mais atuais, musicalmente falando pra esses lados do nortão.

Entendendo a dificuldade de se fazer um show em Palmas, onde conquistar o público que assiste a tudo praticamente imóvel é quase alcançar um milagre, os caras mandaram um som excelente, provando que rock pode ser cantado em português, sim SENHOR!

Do segundo dia, fico com os brasilienses do Squintz. Os caras tinham recém-aberto o show do lendário Ramone, Marky, o baterista mais querido do Ramones, e aqui na Capital mandaram ver.

O punk do Squintz tem escola nos clássicos como Stiff Little Fingers e The Clash e não sei se pela empolgação de tocar com o mestre na noite anterior, mas o resultado da apresentação, mesmo que tenha sido feita para um Tendencies não muito cheio, foi FANTÁSTICO. Pra uma fã de punk rock como eu foi um presentão.

Pra ninguém ficar com ciúmes, vale lembrar que ainda rolou show do Poetas do Caos (sempre muito bom), Asteroid 66 (cada vez melhor), A Baba de Munn-rá (sempre divertido) e Mata-Burro, que super comandou na recepção dos convidados.

Na deixa aproveito para parabenizar todos os envolvidos na 3° edição do Burrada, como o André Porkão e o Programa 96 Rock, que sempre faz uma cobertura excelente - e não to falando isso porque faço parte da equipe, acreditem!

Parabéns as bandas que sempre tem a super disposição de tocar e a todo mundo que compareceu. Bento e Ítalo que sempre tão na ralaçao do underground, um grande CONGRATS e esperamos a próxima ediçao!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Burrada COMEÇA HOJE!





E oficialmente, HOJE, começa às 20h, a 3° edição do Festival Burrada.

Êêêê! Motivo para felicidade coletiva não é mesmo meus caros?

Hoje, sem música - AO VIVO, porém, o público que comparecer ao Tendencies Music Bar vai poder conferir GRATUITAMENTE, atividades ligadas as artes visuais e audiovisuais.

Com a temática sonora, rola exposição fotográfica 'As Cores do Barulho', do fotógrafo e músico Emerson Silva Bento (um dos homens por trás do Burrada), que reúne imagens de diversos festivais de rock que já aconteceram nesse Toca de Deus.

'A Convivência com a Natureza', mostra com 27 trabalhos da jovem fotógrafa Gabriela Grammont - 16 aninhos - retrata a influência que esse universo green pode exercer sobre o homem e também o processo contrário.

O coletivo artístico ambulante, o vocalista da banda de Paraíso do Tocantins, Poeta do Caos, Cláudio Macagi, é o nome por trás da mostra de artes plásticas.

Com muito experimentalismo e temáticas curiosas e provocativas, seus painéis são esticados em vergalhões de ferro utilizados na construção civil e retratam na maioria das vezes uma realidade crua do ser humano.

O cineeeemaaa vem de Miracema do TO! Com programação especial para o Burrada, o Cineclube Miragem, sob a coordenação do querido Cássio, quem for hoje no Tendencies vai poder conferir filmes documentais como 'Pânico em SP', sobre a juventude punk de São Paulo e 'O mundo é uma cabeça' que registra o movimento musical pernambucano do manguebeat.

Ainda no multi multi atividades, rola a exposição 'Esculpindo Rock’n’Roll', do artesão Dunga Carreiro, também de Mira, onde os rockers vão poder ver diversas mini-guitarras esculpidas em pedaços da casca do pé de cajá, frutos da ligação do artesão com a tradição familiar e a influência da música em sua vida.

BACANA HEIN?

Tudo, começando calmo e tranquilo é só um esquenta pra amanhã, quando começa FOR REAL O ROCK'n'ROLL!VAMO AÍ?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Squintz pelo Asteroid 66

Então, continuando o especial sobre a 3° edição do Festival Burrada, depois da entrevista dos meninos do Asteroids com a galera do Squintz (não viram? VEJAM AQUI), agora vamos ao oposto, publicando o bate-papo que a nossa banda de rockabilly teve com o pessoal punk rock de Brasília.

Asteroid 66 - O país vive hoje um momento de dualidade política em sua sucessão presidencial. De um lado, a continuidade de um governo voltado a práticas assistencialistas; de outro, uma proposta neoliberal que prioriza o crescimento econômico. Diante disso - e como vocês são uma banda do DF -, nós gostaríamos de saber algo crucial: qual vocês preferem? RAMONES ou SEX PISTOLS?!?
Squintz - The Jam

A - Assim com a gente, vocês compõem em inglês em uma época em que muita gente torce o nariz para quem não canta em português. Isso é uma decisão de estilo, ou é algo natural, o inglês só flui melhor com o som de vocês?
S - Não sei. Cantar 'Não importa o que dizem, ainda sou um punk, andando pela cidade, lado-a-lado com a galera' é possível em qualquer idioma. Tanto faz. Poderia ser em português também. Quem sabe um dia. Mas até então os termos que queremos usar e a forma que queremos deixar estão mais bem alinhados no inglês!

A - Partindo das indagações/armadilhas midiáticas propostas em rede nacional pelo Canal Futura: E se bastassem três acordes?
S - Ignore o acorde diminuto do campo harmônico, você vai harmonizar com apenas seis acordes. Sabendo as relações de substituições, aí você vai harmonizar até com três acordes. Digo isso porque quase todas as dissonâncias de qualquer acorde podem ser anuladas e deixa só o acorde maior ou menor, como o campo harmônico te pede. Já pensou?

A - Ainda nesse contexto sóciocultural: e se arte for uma ilusão?
S - 'Os homens têm sempre lutado contra a realidade com todas as suas forças.' (Jean Servier)

A - No Myspace, vocês fazem uma reflexão sobre as alegações de que o Punk Rock morreu, e traçam um paralelo entre o período do nascimento do estilo e a época da formação do Squintz - dois momentos em que um movimento de ruptura se fez necessário. Você acha que a boa resposta do público de vocês tem a ver com a consciência desse contexto, ou que eles se ligam apenas na boa música?
S - Em certos momentos, quando a coisa tá muito chata, você simplesmente vai lá e troca o disco. Não tem em que ficar pensando.

A - Ainda nesse assunto: qual é o tema principal das canções de vocês? Vocês tem uma preocupação em direcionar as músicas para uma mensagem específica, ou tem mais liberdade para escrever o que vier à mente na hora?
S - Temas rueiros e politicamente incorretos.

A - Quem é o rei do futebol? Pelé, Maradona, Romário ou Biro-Biro?
S - Túlio Maravilha!

A - Bem, acho que é isso. Deixem aqui uma mensagem pra galera daqui de Palmas que vai ver o show de vocês!
S - Meus queridos palmenses, apareçam lá no Porkão no próximo sábado (6/11), eu estarei lá esperando vocês pra acabarmos com todas as latas de antarctica, e depois disso vai ter no palco a banda The Squintz, e garanto que se você for embora vai se arrepender pelo resto da vida!!! Mas antes disso, façam a dança da chuva. Por favor!

Pra ouvir os caras, não perde tempo e clica logo: SQUINTZ!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Asteroid 66 por The Squintz

Geeeenteeeee!

Nesse feriadão prolongado resolvi que tinha que postar notícias, mas que ao mesmo tempo queria muito descansar. Então achei a combinação perfeita entre 'novidades musicais' e 'pouco trabalho'.

A solução: resolvi convidar duas bandas que estarão se apresentando no 3° Burrada Festival para se entrevistarem!

Daí que nessa lógica, o pessoal da brasiliense The Squintz entrevistou os tocantinos dos Asteroids 66 e vice-versa! How cool is that?

Aproveito pra dizer para todos se prepararem porque nessa semana vamos fazer um especial pré-festival com entrevistas e um monte de informação pra quem vai curtir o Burrada e ainda não tá por dentro do que vai rolar por lá.

E mentirinha que é preguiça do feriado, é só porque eu acho que não existe coisa melhor do que músico entrevistar músico. Ainda mais quando as bandas vem de realidades diferentes como neste caso, mas que ao mesmo tempo partilham do mesmo amor pelo rock'n'roll. Diversão garantida!

O resultado da nossa experiência ficou fantástico! Chega de conversa fiada e confere aí embaixo!

The Squintz entrevista Asteroid 66


Squintz - Primeira coisa: o que é a banda Asteroid 66?
Asteroid 66 - Cara, acho que o melhor resumo pra isso é que são três amigões fazendo barulho!

S - O que inspirou o nome da banda?
A - A gente tava tocando havia umas semanas, e não tinha nome ainda, e aí eu (Thom) sugeri esse - que é o nome de uma fase num jogo velho de Mega Drive, chamado Mutant League Football. Sempre achei um nome legal pra se por numa banda - e, como tocamos um som baseado (também) no rock da década de 60, caiu como uma luva. Ah, e também tem o fato de que não achamos outro nome melhor!

S - Qual foi a motivação (ou as motivações) para a criação da banda? Quero dizer, o que faz você achar que vale a pena perder tempo com o rock?
A - Cara, é difícil explicar...eu mexo com isso faz uns 15 anos, e o Renato e o Elton também tem um longo tempo de estrada. Da minha parte, digo que é quase como um vício mesmo...uma necessidade e um prazer. Não ganho grana, arranjo problemas pra cabeça...mas não consigo ficar sem. Acho que os outros caras pensam assim tb.

S - Como é ter banda de rock em Palmas? Como é a cena, digo shows, eventos, público, bandas, imprensa, amizades, sexo e drogas?
A - Ah, é bacana! Até onde eu sei, o rock sempre teve espaço e vez aqui, mas ultimamente tá havendo uma nova leva, uma diversificação no estilo das bandas - o que é muito bom, e acaba resultando em mais shows e mais lugares diferentes pra se tocar. Basta lembrar que nós temos três festivais grandes de rock todo ano, o que é excelente pruma cidade tão nova quanto essa. No mais, é uma galera que tá toda centrada numa mesma ideia: fazer som, se divertir e conhecer novas pessoas através da música.

S - Quais são as agruras de pegar uma groupie na cidade de Palmas?
A - São as mesmas que as de qualquer cidade: não dá pra competir com a banda que tá tocando. Você sempre perde a disputa, e a garota. Agora dá licença, que eu vou chorar ali no cantinho...

S - Como é a relação da banda com a própria criação, a própria música de vocês? Existe muita preocupação em entender a história e evolução do rock, traduzir isso pro seu tempo e realidade? Ou vocês encaram d'uma forma mais simples do tipo "a gente toca o que quer e o que gostamos, e que se dane"?
A - Existe uma preocupação básica em manter a base - a base MESMO - do nosso som próximo de um rock mais antigo, das décadas se 50 e 60, mas sem que isso limite a criatividade - por exemplo a gente gosta de pegar coisas da surf music também. Mas o que mantém essa banda viva, e tão divertida de se integrar, é que o nosso único compromisso real é com que fiquemos felizes e satisfeitos com o que estamos tocando - e o resto é consequência. É esse desprendimento que faz com que a experiência seja tão gratificante, porque aí não tem tempo ruim!

S - Quem é o rei do rock: Elvis, Ray Charles, Lemmy ou Tim Maia?
A - Elvis é o Rei, Ray Charles é um apóstolo, Lemmy é Deus e Tim Maia é o cara. Aliás, o Tim é o autor de uma das melhores frases de todos os tempos: "O Brasil é o único país em que puta goza, traficante é viciado, cafetão sente ciúme e pobre é de direita".

S - Qual ou quais discos fez você virar rockeiro?
A - Elton: Brothers in Arms - Dire Straits; Kerplunk! - Green Day
Thom: Adiós Amigos - Ramones; Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band - Beatles; Rock'n'Roll - Motörhead;
E o Renato não é roqueiro; a gente obriga ele a tocar rock porque somos bem maiores do que ele.

S - Que banda ou artista você gostaria que estivesse no mesmo palco que a Asteroid 66?
A - Elton: Falcão
Thom: O Canastra ia ser massa...
Não achei o Renato pra ele responder hoje...mas eu tenho certeza que ele iria lembrar do Mombojó!

S - Quando a banda Asteroid 66 sobe ao palco, o que se pode esperar?
A - O pior!

S - Enfim, faça uma auto-promoção para que os leitores possam se interessar em ver o show da banda... A - Somos três tagarelas que tocam rock veío com gosto - e que, de vez em quando , se lembram de afinar os instrumentos. Venham nos ver, e tirem sarro da gente pros amigos depois!!!

Fica ligado que logo mais tem a entrevista do Asteroid com os Squintz! IMPERDÍVEL!